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“No fundo, Ele é um hedonista. Todos aqueles jejuns, vigílias, martírios e cruzes são só fachada. Ou são como a espuma do mar. Lá no mar, no mar d'Ele, existe prazer e mais prazer. E Ele não guarda nenhum segredo a respeito; à Sua mão direita há ‘delícias eternas’.“ (Salmos 16:11)
“Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Salmos 16:11)
Imagina querer que o homem tenha algum tipo de alegria, contentamento, beleza, bondade ou verdade na vida! Fitafuso realmente não consegue conceber a ideia de não se afundar na maldade e feiura que esse mundo pode ter.
Ele começa criticando o relacionamento entre homem e mulher, que é uma das coisas mais bonitas e misteriosas que Deus fez, antes mesmo do início. Reduz a mulher a estereótipos sujos, despejando a sua intenção de perverter tudo o que Deus criou.
“Ele encheu o Seu mundo de prazeres. Existem coisas para os humanos fazerem o dia todo sem que Ele se importe nem um pouco - dormir, lavar roupa, comer, beber, fazer amor, jogar, rezar, trabalhar. Tudo isso tem de ser pervertido para que passe a ter algum valor para nós. “
A lista de coisas que ele cita são as coisas triviais que todos nós fazemos todos os dias. Parafraseando Liturgia do Ordinário, Deus trouxe ordem e beleza ao mundo, e essas pequenas coisas do dia-a-dia são parte dessa criação. E daí podemos tirar um reflexão sobre a nossa vida diária em um nível muito mais realista.
“Todos os dias somos moldados, sabendo ou não, por práticas, rituais e liturgias que nos tornam quem somos.” (Liturgia do Ordinário)
“Provai — não só o vinho e o pão, mas também misto quente e café — e vede. O Senhor é bom. Cada centímetro quadrado das nossas vidas, a cada segundo, é dele.” (Andy Crouch no prefácio de Liturgia do Ordinário)
Pense no seu dia e responda a pergunta: “Que tipo de pessoas a nossa rotina está nos formando para ser?”
“Eles protegem com unhas e dentes, como o Próprio Inimigo, o segredo do que está por trás de toda essa simulação de amor altruísta.”
Qual é esse segredo?
“Toda a casa e o jardim não passam de uma grande obscenidade, têm uma semelhança repulsiva com a descrição que certo escritor humano fez do Paraíso: ‘as regiões onde há apenas vida e onde, portanto, tudo aquilo que não for música será silêncio’.“
“(…) tudo foi ocupado pelo Ruído - o Ruído, o grande dinamismo, a expressão audível de tudo o que é eufórico, brutal e viril; o Ruído, a única coisa que nos protege dos ressentimentos estúpidos, dos receios sem esperança e dos desejos impossíveis.”
Interessante quando pensamos nesse mundo em que não sabemos ficar sem fazer nada, deixar nosso cérebro em silêncio. Um termo que tem sido mais comentado é “filter shock”, um termo que descreve a sensação de sobrecarga de informação, ou seja, a dificuldade de encontrar informações significativas em meio a uma inundação de dados irrelevantes, que cria um medo paralisante de mudanças.
A autora de Liturgia do Ordinário diz que a tecnologia se tornou a mãe do seu dia. E descreveu muito bem o que o excesso de informação cria em nós: “uma resistência firme e um medo do tédio”.
“A maior parte do que molda a nossa vida e a nossa cultura acontece ‘embaixo da mente’, nas nossas entranhas, nos nossos amores.” (Liturgia do Ordinário)
Aqui, temos que falar de afetos e “atravessamentos”. Os afetos são tudo o que nos afeta, ou seja, muda algo dentro de nós.
“Os nossos corações e os nossos amores são moldados pelo que fazemos de novo e de novo e de novo. No domingo, no culto solene, aprendemos juntos a passar pela repetição e pelo previsível. Aprendemos os ritmos repetitivos e lentos de uma vida de fé. (…) Precisamos ser formados como pessoas capazes de apreciar a bondade, a verdade e a beleza.” (Liturgia do Ordinário)
Viver uma vida de adoração é mais do que entender que ela vai além do templo, e, mais que isso, não só na vida pública, mas na nossa vida pessoal, interna e no nosso corpo. Cada ato do nosso dia, desde acordar, escovar os dentes, comer, ver tv, mexer no celular, usar redes sociais são hábitos que devem honrar a Deus. Tudo deve ser feito para a glória de Deus. É isso que significa a mordomia na vida cristã. Inclusive, a autora cita que, na sua igreja, quando é feita a consagração da casa, eles passam por todos os cômodos, inclusive o banheiro. Os judeus têm até uma oração que é feita ao usar o banheiro.
Um detalhe que abre mais ainda nossos olhos para essa realidade foi o exemplo de que, quando falamos que Jesus viveu toda a experiência humana, mas sem pecado, isso significa que ele acordava tão perdido quanto a gente, cuidava do seu corpo, tinha fome, trabalhava e vivia todas as pequenas coisas triviais. The Chosen retrata bem isso.
“No fim de tudo, as melodias e os silêncios do Céu serão esmagados pelo ruído.”
Graças a Deus, no fim reinará a música perfeita de Deus, e o silêncio que só a sua presença santa pode suscitar. Andando com Deus, permitimos que ele encha nossos ouvidos com sua música e seu silêncio, afastando todo o ruído do mundo.
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